terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

BALAIADA - Uma CASA DE CARNAVAL em Santa Teresa / RJ - 2012 !


Profetas e profetizas batizaram 2012 como o ano fatal ! Sereias e elementais abençoaram as praias de São Sebastião ! Tia Ciata preparou o terreiro ! @s anonymous são pró - download e a polícia entrou em greve ! Babilônia é cidade maravilhosa e está em chamas ! Vamos parar o Brasil pra cultuar a alegria, a liberdade e a fertilidade, mais uma vez ! É Carnaval !

Do olho do furacão no Centro do Planalto Central, o Balaio Café - uma casa de prazeres -transbordou... E prazeres devem ir aonde o povo está ! Bora pegar carona na cauda do cometa, cair na estrada, botar o bar na mala e pousar em Santa Teresa ! Prepara uma avenida que a gente vai passar!

=> ONDE: Rua Joaquim Murtinho, 251 - Santa Teresa - Rio de Janeiro - Brasil il il il !

=> Pra molhar as palavras, pra alimentar a alma, pra embalar a folia ! Destilados, fermentados, refogados, fritos, gelados, cozidos, fresquinhos... ser.viremos !

Esta é nossa melhor fantasia, vestimos a camisa desta categoria que tá sempre na ativa - vida longa aos bares da vida ! Se é namoro ou amizade, se é fogo ou paixão, se deu motivo ou não... é carnaval e a balaiada, (bote fé !) vai ser o ponto de encontro intergaláctico no Carnaval do Rio 2012 !

Bacantes entoarão marchinhas divinais e a caipirinha estará servida, Evoé ! No Carnaval até Baco é brasileir@ ! A Balaiada é um empreendimento criativo - etílico - coronário, um pecado quente ... e tem o ano inteiro pra gente pagar ! Vem desfilar aqui !


BALAIADA - no carnaval do RIO - 2012 !

:: SEXTA 17.02 ::

- manha -
Abertura dos trabalhos : Axé do samba com Aderbal Ashogun (Omo Aro -Cia Cultural) Toques de afoxé e lavagem da escadaria, saravando o carnaval e o bonde de Santa Tereza

- tarde -
cortejaremos o bloco das carmelitas (só no sacolé ...)

- noite -
Baile Carnavália com Dj DonPresí e convidad@s
http://www.facebook.com/pages/Carnav%C3%A1lia/377045245646011

:: SÁBADO 18.02 ::

- manha -
cortejaremos o bloco Céu na terra (e tome latão e latinha !)

- tarde -
batucadinha e boa prosa

- noite -
Baile Carnavália, a revanche... com Dj DonPresí e convidad@s

:: DOMINGO 19.02 ::

- Manha e tarde -
Livres, autonom@s, afetiv@s e resistentes - fugiremos em nome do prazer, da praia e do futebol

- Tarde /Noite -

Recepção triunfal ao Bloco Saia de Chita
Baile Carnavália, 03 é demais! com Dj DonPresí e convidad@s

:: SEGUNDA 20.02 ::

- manha -
Cortejaremos bloco Céu na Terra (só sucesso !)

- tarde -
Reexistiremos com o "Aconteceu em Santa Teresa"

- noite -
Baile Carnavália (eu acho é pouco, é bom demais!) com Dj DonPresí e convidad@s

:: TERÇA 21.02 ::

- tarde -
Cortejaremos Carmelitas

- noite -

Reedição carnavalesca da "Biroska da Pepeia" na Alta Lapa, aos embalos do Dj Miguel Campelo (Tá na Rua !)

OBS.: PROGRAMAÇÃO SUJEITA A MAIS RECHEIOS DIVERSIVOS

sábado, 21 de janeiro de 2012

Beberemos com Ela: Gabriela Leite

"Economia Coronária" foi assistir ao espetáculo "Filha, Mãe, Avó e Puta- uma entrevista", a convite de sua autora, a querida Gabriela Leite, uma personagem fascinante e singular, do teatro e da vida. Gabi é socióloga, ex-prostituta, fundadora da OnG Davida, da Griffe DASPU, referência mundial no combate ao HIV e fundadora da primeira associação brasileira em defesa dos direitos das prostitutas.
Além do seu currículo extraordinário, Gabi é um amor de pessoa, boa-praça até não poder mais, boêmia e prosadora das melhores.
Em breve, "Economia Coronária" estreia uma nova coluna intitulada "Bebemos com Ela", onde entrevistaremos personalidades femininas que nos fascinam, sempre ao redor de uma mesa de bar, espaço cultural por excelência. Nossa primeira convidada será ela, Gabriela Leite, a quem desde já convidamos para esta prosa regada a cerveja gelada no Galeto 183, ou Bar da Ana, um recanto pra lá de charmoso na Praça Onze, Rio de Janeiro, não por acaso bem pertinho da antiga Zona do Mangue, a histórica área do alto meretrício carioca. Ninguém perde por esperar!
E para o público de Brasília, fica a dica: a peça está em cartaz no CCBB -DF, de Quinta a Domingo, sempre às 19:30h e sempre de casa cheia. Imperdível!

Liberdade Liberdade

Liberdade Liberdade, texto de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, é um marco da história do teatro brasileiro. Encenada em 1965 foi, ao lado do Show Opinião, uma das primeiras reações da cena teatral e cultural brasileira ao Golpe Militar de 1964. Com direção do próprio Flávio Rangel e elenco formado por Paulo Autran, Tereza Rachel, Nara Leão e Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha, a peça foi um enorme sucesso de público e crítica.

Os autores de Liberdade Liberdade construíram a dramaturgia do espetáculo a partir de uma coletânea de textos sobre a liberdade em diversos momentos da história da humanidade. Em cena personagens como Sócrates, Jesus Cristo, Garcia Lorca, Abraham Lincoln, Anne Frank, Tiradentes, entre outros. Mesmo para censores quadrúpedes como os da ditadura brasileira, que apreendiam romances como A Capital, de Eça de Queiroz, pensando se tratar do livro homônimo de Marx, devia ser complicado censurar textos do mártir da inconfidência ou de um presidente dos Estados Unidos...

Com uma dramaturgia épica, mas longe de ser uma encenação verborrágica e recitativa, Liberdade Liberdade era um espetáculo vibrante, musical, com ótimos atores, banda ao vivo e um vasto repertório de canções, de Summertime a Marcha da Quarta Feira de Cinzas (em interpretações magistrais de Nara Leão), passeando por marchas de carnaval, sambas de breque, xotes nordestinos, canções da guerra civil espanhola e spirituals do Gospel norteamericano.

Recentemente recebi um belo presente de amor , via Correios: um CD com o áudio integral do espetáculo encenado em 1965. Um registro lindo, precioso, raridade, goiabada cascão em caixa. Ouvi no carro ao lado do meu pai, que assistiu à peça na época e lembrava trechos inteiros de cor . E pude repassar na memória a minha história pessoal com esta peça, que marcou definitivamente o momento da vida em que me descobri homem de teatro.

Em 1996, eu estudava no segundo grau do Colégio Pedro II, Unidade Centro, no Rio de Janeiro. Escola pública federal e centenária, o Pedro II tem uma forte tradição humanista e de politização que atravessou gerações de professores e estudantes até os dias de hoje. Dos tempos do antigo curso Clássico, o Colégio preservou algumas esquisitices curriculares do bem, como aulas de latim, grego, filosofia e música obrigatórias. Mas também aberrações como uma matéria chamada geometria descritiva (ou desenho geométrico, não lembro direito) .Era um negócio esquisitíssimo, meio desenho meio matemática, uma inutilidade completa. Nosso desconforto com a chatice do negócio era evidente, o índice de evasão nestas aulas era altíssimo.

Até que pintou um professor desta matéria, o Alcir. que era um sujeito muito bacana. Negro, boêmio, formado em Belas Artes, era bom de papo e passava boa parte da aula falando de cinema, política, namoro e outros temas bem mais interessantes que os diedros e poliedros da geometria descritiva. Tomávamos cerveja e jogávamos sueca juntos no boteco atrás da escola, conspirávamos a candidatura dele pra diretor do colégio - ele concorreu, com apoio maciço dos alunos, mas não ganhou. Com a convivência e a intimidade, a gente foi falando pra ele o quanto a gente detestava a matéria que ele lecionava, que era uma contradição um professor tão legal uma aula tão insuportável. Alcir tentava defender a matéria, fazer a gente ver a beleza daqueles diagramas abstratos, a cerveja rolava e ele não convencia ninguém, acho que nem a si próprio.

Um dia ele chegou para dar aula com um sorrisinho no canto da boca e fez uma proposta irrecusável: os alunos que não quisessem mais assistir as aulas de geometria descritiva (ou desenho geométrico), poderiam fazer, no mesmo período, uma atividade alternativa: um curso de teatro! O filho dele era recém - formado em um curso profissionalizante de artes cênicas, queria ganhar experiência como professor e topava encarar uma turma de adolescentes em busca de uma alternativa para as maçantes aulas de desenho geométrico (ou geometria descritiva).

Eu e uma boa parte da turma topamos a parada, e começamos o curso de teatro. Começamos a trabalhar com dois textos: Aurora da Minha Vida, de Naum Alves de Souza – um belíssimo texto que contava a história de uma turma de adolescentes no último ano da escola – e o próprio Liberdade Liberdade. Acabamos mais atraídos pelo segundo, pelo conteúdo político e pela dramaturgia sem personagens fixos que permitia que todos – éramos uns 30 ao todo – entrassem em cena. No Colégio havia uma semana cultural no fim do ano, e nessa ocasião estreamos nossa versão de Liberdade Liberdade em uma minitemporada que obteve grande sucesso de público e crítica na comunidade escolar.

Anos depois, já fazendo parte do Grupo Tá Na Rua e tendo escolhido o teatro, senão como profissão mas como meio de difusão de ideias e desenvolvimento de uma linguagem para intervir na sociedade , escrevi uma cena para o espetáculo Memórias do Tá Na Rua em que homenageávamos o diretor Flávio Rangel encenando alguns fragmentos de Liberdade Liberdade. Este texto, sempre atual, abriu na minha cabeça a possibilidade de pensar o teatro e a dramaturgia de uma forma aberta, livre das convenções do realismo psicológico, me revelando um teatro mais próximo das características e necessidades do povo brasileiro.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

mercadão de madureira


Visualizar Rota de carro para Av. Min Edgard Romero, 239 - Madureira, Rio de Janeiro - RJ, 21360-901 (Mercadão de Madureira) em um mapa maior

Um Bonde Chamado Santa Teresa




Nesta semana, dia 27/12, completaram-se 4 meses do acidente com o Bonde de Santa Teresa (RJ), que matou 6 pessoas e feriu mais de 50. Entre as vítimas fatais, a menina Maria Eduarda, de 12 anos, que visitava pela primeira vez o bairro junto com seus pais e irmão, e o motorneiro do Bonde, o querido Nélson Corrêa, que há mais de 30 anos conduzia os bondinhos e era um amigo para muitos moradores do bairro.

Praticamente todos os dias nos chegam notícias de tragédias de maior ou menor proporção, com dezenas, centenas ou milhares de mortos e feridos. O humano, demasiado humano destes acontecimentos irá sempre nos tocar, nos comover, nos colocar diante de nossa finitude e fragilidade. Das torres gêmeas do WTC à explosão de gás na Praça Tiradentes, do terremoto no Haiti às enchentes na região Serrana no RJ. O choque, o impacto com a notícia, uma exploração midiática do fato e suas repercussões por alguns dias, ou mesmo semanas. Depois, tanto a mídia quanto nós tocamos em frente e vamos nos ocupando de outros assuntos, há sempre outras notícias, escândalos e incestos, os dramas cotidianos e a divina comédia humana de cada dia.

Para a maior parte das pessoas, deve ter sido assim também com o acidente do Bonde. No entanto, para os moradores, amigos e amantes do bairro de Santa Teresa, é impossível esquecer. E não é só pela dor de termos perdido amigos, vizinhos, pessoas conhecidas e queridas. É porque fazem 4 meses, desde aquele Sábado, dia 27 de agosto de 2011, que o Bonde de Santa Teresa saiu das ruas, parou de circular, devido à motivos de "segurança", como alegam os gestores do sistema estadual de transportes. Há 4 meses Santa Teresa vive sem o seu querido Bonde, símbolo do bairro e da cidade. E sua ausência dói demais, é presente demais!

Todos os dias era aquele barulho confortante e iritante das composições subindo e descendo as ladeiras, o chiado estridente dos trilhos, o barulho do motor elétrico. Nos finais de semana as pessoas passavam gritando, cantando, era o bonde da alegria. Dava pra ficar na janela apreciando o movimento e viajar no tempo, na história, se sentir parte de um Rio que já não existe mais, e que Santa Teresa mantinha circulando nas ruas do nosso bairro.

http://www.youtube.com/watch?v=xNJ3UqXnAww

Minha casa, onde vivo no bairro, é exatamente em frente ao local onde ocorreu o acidente. Eu não estava em casa na hora, cheguei alguns minutos depois do acidente, vindo de uma viagem ao interior do estado, para onde eu tinha ido com uma certa preguiça e má vontade, mas que pode ter me salvado a vida. Digo isso porque eu poderia estar naquele bonde, era meu programa preferido aos Sábados, subir Santa Teresa de bonde, ficar tomando cerveja e jogando conversa fora na frente dos bares, comprar o jornal de domingo e descer levemente embriagado para casa. 4 meses sem bonde passando na janela, 4 meses sem meu programa preferido do fim de semana.


No carnaval, o bonde virava um corso, um carro alegórico, um baile ambulante e era uma delícia vê-lo subir e descer com malandros, melindrosas, pierrôs e colombinas, marinheiros, mágicos e toda flora e fauna carnavalesca. O Bloco Céu na Terra subindo de bonde, tocando o "Abre Alas" de Chiquinha Gonzaga às 06h da manhã, anunciando o reinado de Momo. Neste ano, abri um modesto botequim na garagem da minha casa durante os 4 dias de folia. Meu empreendimento carnavalesco fazia sucesso com os passageiros do bonde, especialmente quando ele vinha conduzido pelo Seu Nélson, que fazia questão de dar uma parada estratégica bem na frente da nossa garagem pro povo poder dar a sua abastecida... era o Bonde da Cerveja! Fico pensando como será o Carnaval de 2012 sem o bonde...

Mas Santa Teresa continua vivendo de amor pelo bonde. Todo dia 27 acontece uma manifestação no local do acidente, o luto já se fez luta, e o povo celebra em rituais ecumênicos, canta, pinta, protesta, reza e renova a esperança de trazer o nosso bonde, alma encantadora do bairro, de volta às ruas, ao cotidiano de todos e de cada um de seus passageiros e usuários. O Bonde Vive, Viva o Bonde!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ativos do verbo escrito


 Amado, despejando daqui a necessidade de troca:

Reservei estas horas para um encontro comigo mesma. Pausei.Refoguei o alecrim, alfazema e artemísia… refresquei o tempo. Segue a noite. Os vaga-lumes e uma infinidade de insetos, que vieram com a primavera, compartilham do barulho do teclado. A fumaça do palheiro e alguns incensos. Um candeeiro e o meu vizinho de porta . Seu ritmo incessante, sua força, sua doçura, sua leveza e sempre que o encontro, sinto algo de magia… mergulho. Ah, o convívio com  o rio ! Como descrever o discurso das águas ? E  ainda ouço um cão ao longe, insistente em latir e o ronco da pretinha,  exausta do frevo-cadela, dia inteiro com a matilha aqui no córrego (rsrsrrs). 

Tenho que contar do meu vizinho. Tá, chamam ele de córrego do Urubu. Mas, ainda preciso batiza-lo. Porque me canta seus outros nomes…Neste tempo,  é como um íntimo, nos afagamos sem invasão. Ele uma tatuagem cheirosa nessa serra, fincada no meio da capital do maior país da América Latina. Tenho muito orgulho da resistência do meu vizinho de porta, nela pode a bicharada, pedreira, peixinhos e as folhas. Pode borboleta tudo de tamanho e cores … e essa comunidade do rabicó luzido que enfeita a noite. E o que é esta força que faz ele correr ? É a mesma que pulsa o seu, o nosso coração. Simplesmente corre e pulsa.Não dominamos,nem comandamos, nem inventamos… vem de outro canto.Dai a fé. Porque vira dia e noite, esta mesma força. Quando passa a cada segundo na minha porta já é outro, e outro e outro… Como os pensamentos meus…  Penso em  você infinitas vezes, sou outra. Canto quando quero puxar prosa, ali na beirinha sussurro meus segredos de cócoras e ele me reflete os cabelos, preu pentear, a mim mesma, enquanto sopro. E assim, me toma,bebo e banho. Entornamos. Sorriso chamamos Rio, em primeira pessoa. E vivo assim, conforme a lua deságuo,num quarto é sangue, e em qualquer fase, conforme me tocas (e sabes bem) encharco… Rio !

 Aqui vivemos. Entre contornos.Pensei muito no presente.Hoje permiti o banho de sol e, dançando, as árvores vieram tomar comigo. Ali no adorável colo do alto da pedreira. Balançavam … era o vento. Como tocasse o derbake e cada tronco e copa no bailado. E se eu tentar escrever mais vou enfeiar  a cena hahaha Engraçado.. me faltam palavras, me teimam, me erram, me precipitam…  Pra mim montada em tantos reversos e avessos.. esse rio - vizinho é verso, que  nunca dá sequer meia volta. Segue. Certeiro.Na missão de prover… oceanos. E os mares ?  Filhos dos rios… parei o devaneio na fronteiras dos oceanos… matutei um bocado de tempo sobre o poder de delimitar o espaço… nesta peleja entre espaço e mar. Parei  nas ondas que teimam em ir e vir…  rompendo o que lhes foi dado por limite, insistindo (em toadas) no avançar, numa aventura de espumas. Lá onde vc oferta rosas brancas, ali onde vamos nos deliciar. Busca de ir além: praias. 

E nesta primavera a força me levou bem mais… Na língua portuguesa nomeamos a palavra sentir pra: orientação e emoção. Qual sentido levam as rosas brancas ao mar ?  Podemos deliciosamente (assim somos) brincar com vc: sentido. O sentido que faz amada.Você que encena, conversa o samba, encoraja o enredo, protege o sagrado, assobia o profano. Você que guia a essência, que reveste o bom, que recria o humor, que abraça o sono… você que me reescreve, entre gargalhadas. Minha praia.Planta a roseira, que ofertamos as rosas de amor a este mundo. Nosso berço e você doa. Sem doer, sentido. Espiritual, política e  humana: à minha existência. Rio ! 

=> aqui interrompi a escrita, paramos pra falar e transbordar de prazer. 1.174 Km entre nós. E fica o registro do seu realismo fantástico (depois de encharcar minha noite): "tecnologia a serviço do prazer" ! Tentei retomar a escrita, mas…transcendi em sono. Sonhos. Em tempo: nossas águas completam seu primeiro ciclo. Rio: há mar !

Vamos a Lapa 2 - Encontro com a poesia de Dona Neusa



Este fragmento em vídeo é imagem-síntese da política editorial deste blog de encontros afetivos, de amor e criação. Em plena Lapa de 2011, na Ladeira de Santa Teresa. Ali  encontramos Dona Neusa, moradora do bairro há mais de 50 anos, que tem mais de 150 poemas reunidos em seu caderno. E diz que a Lapa é o melhor lugar para se viver!

Em homenagem à Dona Neusa e ao bairro que ela tanto ama - e nós também - seguem os versos de Herivelto Martins na canção "Lapa":

A Lapa
Está voltando a ser
A Lapa
A Lapa
Confirmando a tradição
A Lapa
É o ponto maior do mapa
Do Distrito Federal
Salve a Lapa!

O bairro das quatro letras
Até um rei conheceu
Onde tanto malandro viveu
Onde tanto valente morreu

Enquanto a cidade dorme
A Lapa fica acordada
Acalentando quem vive
De madrugada

"A Lapa está voltando a ser a Lapa

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Bibliografia Coronária



A prateleira de livros do meu pai ficava no corredor da casa, a casa de itaipu, niterói, perto de itacoatiara, onde moramos até quando eu tinha uns 14, 15 anos. Era na minha opinião o lugar mais fascinante da casa, e ainda tinha a vantagem de ficar bem em frente à porta do meu quarto. Parava na frente das estantes, quando não tinha ninguém olhando, e volta e meia subtraía um ou outro volume, e levava pra debaixo da minha cama (!) Meu pai não percebia ou fingia não perceber que suas estantes de livros iam sofrendo baixas sucessivas, enquanto no meu quarto a parte de baixo da cama ia ficando repleta de livros... que eu lia meio escondido por não saber se eram realmente apropriados pra meu tamanho e idade. O Manifesto Comunista de Marx e Engels, por acaso ou sorte ficava logo nas prateleiras mais baixas, foi um dos primeiros a serem surrupiados e devorados em madrugadas de vigília, lá pelos meus 09 ou 10 anos. E depois Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, thomas mann, A Montanha Mágica, o analista de bagé de luis fernando veríssimo, Fidel e a Religião do Frei Betto, as lombadas mais atrativas e os títulos mais curiosos, além da altura das estantes, eram critérios que iam definindo as minhas primeiras e definitivas incursões literárias.

Fragmentos de um Discurso Amoroso ficava em uma prateleira mais alta, talvez imprópria pra menores. Mas pensando bem, A idade da Razão de Sartre, e Henry Miller com sua trilogia Plexus, Nexus, Sexus, ficavam bem ao alcance da minha visão infantil, mas só foram pra debaixo da minha cama bem mais tarde... no entanto, o Fragmentos, mesmo à distância, já me chamava a atenção. Talvez pq a edição da Civilização Brasileira fosse bastante sedutora, as letras tinham uns arabescos lindos, uma fonte vermelha em um fundo bege que chamavam atenção, e ainda com esse título...foi precocemente pra debaixo da cama, meu pai se mudou da casa de itaipu, mas o livro de Barthes já constava inventariado no patrimônio do subterrâneo da pré-adolescência, e seguiu comigo...

Meu primeiro amor foi também minha primeira grande desilusão amorosa, e aí o Fragmentos do Barthes saltou para a superfície da minha fossa adolescente, e virou um grande oráculo, que foi e voltou várias vezes ao longo da minnha vida. Seus verbetes sempre iluminaram meus caminhos de amor, afeto, perdas, perdões, encantos, ilusões e desilusões.

Retomo ele na narrativa de nosso encontro, o melhor momento na dramaturgia da minha vida. Nosso texto e contexto, leituras e releituras do nosso amor. De mensagem ele se transforma em linguagem, vira poema, peça, filme, outros livros, bebe da fonte da minha ancestralidade pra se transformar em discurso e oráculo amoroso.

Vamos a Lapa


Sacerdotisa e o Louco

"E o Louco hoje encontra a Sacerdotisa. Encontra a sua intuição. Descobre que tem um mundo interior pleno, cheio de mistérios e riquezas...A Sacerdotisa nos convida a caminhar nesse conhecimento - nossa alma não está só - existe um Eu Superior e um amor divino que nos acolhe e que é por nós acolhido. O Louco descobre esta porção feminina e divina, sabe que no caminho percorrerá lugares noturnos e desconhecidos, mas também sabe que é nesse caminho que poderá começar a escrever sua vida. O Louco não teme, pois já aprendeu a lição do Mago - tem os elementos para criar e a alegria para brincar, mesmo quando encontra-se na escuridão. Agora ele parte para aprender a lição de confiar na sua sabedoria intuitiva. Que hoje seja um dia para que todos nós confiemos em nossa voz interior. Que sejamos capazes de ouvi-la, nos chamando para aprender um pouco mais sobre nós."